A ciência e a propriedade intelectual: os desafios na economia do conhecimento

JC e-mail 4774, de 23 de Julho de 2013.

A partir de agora, pode haver um salto na produção tecnológica. A opinião é de pesquisadora do Ipea que participou de mesa redonda na 65ª Reunião Anual da SBPC

Do Recife (PE) - No Brasil, ainda demora um pouco para a produção científica se reverter em inovação. Enquanto a publicação de trabalhos científicos cresceu nos últimos anos, o desempenho do crescimento tecnológico não foi tão bom. A observação foi feita por Fernanda Nigri, pesquisadora do Instituto de Pesquisa EconômicaAplicada (IPEA), que ao lado de Jorge Avila, presidente do Instituto Nacional de Produção Industrial (INPI), de Naldo Medeiros Dantas da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (ANPEI) e Jorge Almeida Guimarães da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), debateram o tema "A ciência e a propriedade intelectual: os desafios na economia do conhecimento". A mesa redonda foi realizada na segunda-feira, dia 22, dentro da programação da 65ª Reunião Anual da SBPC, no Recife.

De acordo com Fernanda, o crescimento da produção científica se deu em todos os países, inclusive no Brasil. "Foi um crescimento importante para o país, mas praticamente estamos no mesmo lugar em relação ao resto do mundo", detalhou. No entanto, ela acredita que a partir de agora pode haver um salto na produção tecnológica.

No cenário atual 60% da inovação mundial se concentra no setor fármacos, que é uma área importante no Brasil. Segundo Fernanda, esse é um gargalo importante. "É preciso ampliar o incentivo à inovação para as empresas com uma escala de produção pequena. Ainda temos uma capacidade de inovação limitada", disse.

Com base em uma pesquisa realizada pelo IPEA, Fernanda revelou que os laboratórios com um perfil de maior interação com as empresas são aqueles que têm um grande número de pesquisadores, uma equipe técnica numerosa, muitos laboratórios e pouca produção de artigos. "Esses dados podem ajudar a pensar numa política de inovação para o país", alertou a pesquisadora.

 

Descoberta x invenção

A patente é um instrumento que surgiu com a evolução do pensamento científico. O que pode ser inventado diz respeito ao conhecimento existente, é uma nova aplicação do que já existe. "A patente é a proteção do esforço criativo", resumiu Jorge Avila, presidente do INPI.

De acordo com ele, há uma diferença entre descoberta e invenção. A primeira não é protegida e não há ganho econômico com ela. "A invenção tem um propósito prático, é algo que está solucionando um problema de ordem prática imediata e é protegível por patente", esclareceu.

Ele analisa a questão da inovação no Brasil como algo que irá se processar e avançar com muito debate. "A cultura da inovação não se cria da noite para o dia. O debate é importante, não existe outra maneira de avançar para ajudar a mudar essa cultura no nosso país", apontou Avila.

 

Ciência, tecnologia e empresas

Para Naldo Medeiros Dantas, da ANPEI, no Brasil as empresas ainda estão de um lado e a academia do outro, esses dois universos não trabalham conectados, juntos. " Isso é um absurdo, a maior bobagem. Precisamos romper essa inércia", opinou.

A proteção intelectual tem que ser usada, pois o conhecimento é importante para o fluxo de capital, segundo Dantas. "Se nós queremos um país soberano, temos que avançar na conversão do conhecimento científico em inovação. Ainda falta um entendimento entre a necessidade do mercado e o desenvolvimento científico", analisou.

(Edna Ferreira / Jornal da Ciência)

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